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Classificação Científica

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Anseriformes
Família: Anatidae
 Leach, 1820
Subfamília: Anatinae
 Leach, 1820
Espécie: N. jubata

Nome Científico

Neochen jubata
(Spix, 1825)

Nome em Inglês

Orinoco Goose


Estado de Conservação

(IUCN 3.1)
Quase Ameaçada

Fotos Sons

Pato-corredor

O pato-corredor é uma ave anseriforme da família Anatidae. Também é chamado de ganso-do-orinoco.

Nome Científico

Seu nome científico significa: do (grego) neos = novo; e khën = ganso; e do (latim) iuba, iubatus = crista, com crista. ⇒ Novo ganso com crista.

Características

Mede entre 61 a 76 centímetros. Tem flancos de cor castanha, cabeça e peito cinza-amarelados, manto e asas escuras com um espéculo branco. As pernas são vermelhas e o bico é preto e rosa. Tanto o macho quanto a fêmea apresentam as mesmas cores de plumagem. O macho é maior do que a fêmea.
Os indivíduos jovens possuem a plumagem muito similar a dos adultos, sendo difícil a identificação dos jovens pela sua plumagem (Hidalgo 2010).
Esta é uma espécie em grande parte terrestre, mas se empoleira facilmente em árvores. Raramente voa, preferindo movimentar-se no solo. Ao contrário dos demais anatídeos (patos, gansos e cisnes), o pato-corredor também é raramente visto nadando. Prefere ficar nas margens, onde se desloca com agilidade e velocidade impressionantes para um pato. Seu voo parece com o voo de um ganso.

Subespécies

Não possui subespécies.

Alimentação

Alimenta-se de partes tenras de vegetais e invertebrados (insetos, vermes e moluscos) (Carboneras, 1992). Procura comida forrageando principalmente na terra, pastando (del Hoyo 1992).

Reprodução

O pato-corredor é uma espécie muito territorial na época de reprodução. Nidifica em cavidades naturais em árvores ocas ou ocasionalmente no chão, próximas aos rios. O ninho é construído em um tronco de árvore oco, onde a fêmea constrói uma forração com as penas retiradas do seu próprio peito. A postura é de 6 a 10 ovos e a incubação dura cerca de um mês. Seus ovos medem 60 x 42mm., são de cor creme, algo lustroso. (Santos, 1979).
A corte para o acasalamento consiste em várias danças e contorções durante a qual ambos os parceiros se movem com pequenos passos, intercalando momentos em que ficam com seus corpos enrijecidos e pescoços esticados. O macho bate as asas vigorosamente em frente da fêmea da sua escolha. Intensos combates podem ocorrer entre machos rivais.

Hábitos

Frequenta praias abertas, pedregosas, de rios das regiões quentes (Sick 1997), beiras florestadas de rios tropicais e também em espaços abertos de savanas alagadas, geralmente abaixo de 500 m de altitude (del Hoyo 1992). Está desaparecendo dos rios navegáveis (Sick 1997).

De ampla distribuição, mas incomum, exceto em áreas protegidas ou remotas.

É uma espécie residente, que realiza deslocamentos em curta distância (Carboneras, 1992). Entretanto, recentemente, cientistas registraram um importante deslocamento migratório desta espécie na amazônia.

Migração: Pesquisadores do Duke University Center for Tropical Conservation, detectaram pela primeira vez, uma migração longitudinal de longa distância, em grande parte desconhecida, dentro da Bacia Amazônica (Davenport, et al. 2012). Usando telemetria por satélite, três indivíduos da espécie (Neochen jubata), um casal do Parque Nacional de Manú no Peru e um exemplar macho do centro-oeste do Brasil foram acompanhados durante sua migração longitudinal pela amazônia. O macho brasileiro monitorado, foi acompanhado em uma migração de cerca 950 quilômetros com voos geralmente à noite, e o casal peruano foi acompanhado de 27 de outubro de 2010 até 23 de dezembro de 2010, pela distância de 655 quilômetros com voos quase que exclusivamente noturnos, com ou sem a luz do luar. O Destino desta migração foram os Llanos de Moxos ao norte da Bolívia. O indivíduo macho brasileiro permaneceu durante nove meses nos Llanos de Moxos, isto após o período de reprodução da ave no Brasil.
É conhecido que patos-corredores são residentes durante todo o ano nos Llanos de Moxos, de modo que os indivíduos acompanhados pela pesquisa representam uma migração parcial destas aves. A pesquisa mostrou que os patos-corredores, tanto no Peru quanto no Brasil, dependem das áreas úmidas do Llanos de Moxos durante grande parte do ano.

Estado de conservação da espécie: Segundo o Senso Neotropical de Aves Aquáticas de 2006, de João Oldair Menegheti, Coordenador Nacional do CNAA, Tomas e colegas (2004) publicaram uma síntese sobre as aves ameaçadas do Pantanal. Dela se extrai que também na Bolívia (Neochen jubata) é considerada “Quase Ameaçada”. Tanto no Paraguai (Guyra Paraguay, 2005) quanto na Argentina (Narosky & Yzurieta, 1993) a espécie é considerada como insuficientemente conhecida. No estado de São Paulo (N. jubata) é considerada como “Possivelmente Extinta”. Segundo (Develey, 2009) para o estado de São Paulo, a categoria do estado de conservação da espécie é: CR A1 a, c.
Situação em outras listas: IUCN (2008): NT; Brasil (2005): DD; São Paulo (1998): Provavelmente Extinta; Minas Gerais (2007): não ocorre; Rio de Janeiro (1998): não ocorre; Paraná (2004): não citada.

Distribuição Geográfica

O (Neochen jubata) é uma ave, segundo (Sick 1997), de distribuição geral, ocorrendo na Amazônia e Brasil Central.
Também ocorre a leste dos Andes, desde o norte da América do Sul até o norte da Argentina (Carboneras, 1992). É raro ou ausente ao longo da costa nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil. Comumente observado em praias arenosas ao longo de rios de médio e grande porte, com mata ciliar bem desenvolvida. Encontrado também em savanas alagadiças e extensos banhados de água doce (Carboneras, 1992).
O Pato-corredor (Neochen jubata) é um anatídeo de distribuição estritamente da América do Sul, abrangendo o leste da Colombia, Venezuela, Equador, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, zonas amazônicas do Brasil, extremo leste do Peru, Bolívia, oeste do Paraguai, onde é raro, e extremo noroeste da Argentina (BirdLife International 2009). Ainda de acordo com a Birdlife (2006), as maiores populações desta espécie encontram-se no norte da Bolívia e no centro-oeste do Brasil, na Ilha do Bananal.

O desaparecimento da espécie do estado de São Paulo no Brasil, deve-se ao represamento de grande parte dos rios que correm no interior de São Paulo, levando à supressão de praias e grandes extensões de matas ciliares, ambientes chave para a alimentação e reprodução da espécie.

Referências

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